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Coluna

Os Caminhos de Deus e os Desafios do Tempo do Fim

Gerson Lima

Na história do povo de Deus encontramos duas classes de pessoa: aquelas que somente conhecem seus feitos e aquelas que, além disso, conhecem seus caminhos. Seus feitos revelam seu poder, mas seus caminhos revelam sua intimidade. Os feitos de Deus têm como objetivo nos levar a conhecer seu poder e soberania, mas seus caminhos são os meios que ele utiliza para revelar seus segredos e conduzir-nos ao seu propósito mais elevado. Conhecer apenas seus feitos significa ficar na periferia do seu chamamento, sem conhecer o propósito para o qual fomos chamados. O grande perigo jaz em querermos egoisticamente desfrutar de seu poder, de suas bênçãos, não buscando conhecer seus caminhos e cooperar com seu propósito. A indignação de Deus derramou-se sobre aqueles que “...sempre erram no coração... e não conheceram os seus caminhos” (Hb 3.10). No deserto caíram milhares daqueles que insistiram em andar em seus próprios caminhos, em vez de se submeterem à direção de Deus rumo à edificação do seu testemunho; e tudo isso serviu de exemplo para nós, que já temos chegado ao fim dos tempos (1 Co 10).

Um dos maiores exemplos de desvio dos caminhos do Senhor é manifestado através das palavras conclusivas de Jesus no final do seu ministério: “Quando [Jesus] ia chegando, vendo a cidade, chorou e dizia: Ah! Se conheceras por ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos” (Lc 19.41, 42). Apesar de Deus ter trabalhado com seu povo por cerca de 1.600 anos, preparando-o para a vinda do Messias, eles não compreenderam o propósito e a maneira de Deus. Deus operou entre eles muitos sinais, milagres e prodígios, todos servindo de “bengala” para ajudá-los a andar em seus caminhos; entretanto, apegaram-se aos milagres e não ao Senhor. Conheceram suas obras, mas não seus caminhos. Ouviram suas palavras, mas não conheceram seus segredos.

Não há como deixar de perceber no desabafo de Jesus as lágrimas que vazavam de seu coração dilacerado pelos golpes de desprezo do seu povo: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!” (Mt 23.37).

Os milagres, muitas vezes, não representam a aprovação de Deus, mas sim sua última instância de advertência, operando no mundo físico para chamar a atenção aos cegos quanto às realidades do mundo espiritual. As bênçãos de Deus, sua proteção, a prosperidade material, a multiplicação de membros e o sucesso religioso quase sempre foram usados como ferramentas nas mãos do diabo para manufaturar o véu que separa o povo de Deus da pessoa de Deus e de seu propósito. O sucesso ministerial cega nosso entendimento quando a bússola que aponta o caminho certo não é mais a primazia do Filho de Deus e sim nossa própria entronização e sucesso. Nos bastidores do engano, os aplausos de homens cegos são as massagens de Satanás ao ego dos líderes que buscam reconhecimento e glória humanos.

Jerusalém não reconheceu o tempo de visitação de Deus. Hoje, sabemos discernir em que tempo vivemos e como Deus está trabalhando? Eles cuidavam de tudo referente ao culto, ao sacerdócio, às festas e ao serviço ao povo, mas não prepararam seus corações para receber o Filho de Deus.  Não escolheram a glória de Deus, mas a satisfação pessoal através da religião.  Mataram os profetas que condenavam seus desvios dos caminhos de Deus. Hoje, qual o cenário em que vivemos? A que voz estamos ouvindo? A de paz e segurança, bem-estar social e religioso? Ou estamos sendo confrontados por mensageiros que amam a cruz, apregoando o juízo que cedo vem e nos convidando a voltarmo-nos aos caminhos de Deus no tempo do fim?

Estamos nos últimos dias da culminação do cumprimento do propósito de Deus nesta era da graça. Assim como Daniel entendeu pelas Escrituras que o tempo de se cumprir a profecia por Jeremias, quanto à libertação do cativeiro do povo de Deus, havia chegado, e, pela oração, abriu as portas para a restauração de Jerusalém, Deus nos chama para entrarmos em profunda oração coletiva, para que também se cumpra nesses dias as profecias quanto à restauração de sua casa. Foi através da oração que Deus levantou mestres da Palavra, como Esdras, e profetas, como Ageu, Zacarias e Malaquias, e líderes com dons de governo, como Neemias, para a plena restauração de sua casa. Neste tempo do fim, ele nos revela seus segredos para também sermos seus colaboradores na etapa final de sua grandiosa obra.

Reconheçamos a urgente necessidade de voltarmo-nos a Deus e aos seus caminhos. Necessitamos conhecer, em realidade, o chamado de Deus para estes dias e a importância da oração coletiva como resposta a esse chamado. A revelação profética através dos ministros da Palavra gerará pressão para nos conduzir como Igreja à oração coletiva e é através deste nível de oração que as trevas serão decepadas e os céus serão abertos para o poderoso reavivamento do tempo do fim.

Reconheçamos que nossa falta de oração individual e coletiva, pelo cumprimento do plano de Deus neste tempo do fim, simplesmente representa nossa cegueira espiritual. Nosso maior problema não é falta de tempo para orarmos, mas sim nossa independência de Deus. A maior falência de um ministério não é sua apostasia ou queda em si, mas sim ser bem-sucedido como gerador de atividades religiosas e entretenimentos que conduzem os filhos de Deus aos enganosos estágios de satisfação sem a glória de Deus; isso é a glória de Babilônia.

Hoje, nosso desafio é garimparmos na Palavra, como Daniel, para conhecermos os caminhos do Senhor em relação à responsabilidade da Igreja neste tempo do fim. Assim, haverá intimidade com Ele e isso nos transformará em intercessores que abrirão caminho para que Deus edifique a Igreja gloriosa que atrairá a vinda de Cristo (Ef 5.25-27). Deus tem falado e avançado através daqueles que lhe oferecem caminho. Entretanto, como a Igreja é o veículo da operação de Deus na Terra, o sinal de que estamos correspondendo de fato ao Seu chamamento é quando conduzimos os santos em geral a entrarem neste estágio de responsabilidade coletiva em ouvir a Deus, conhecer Seus caminhos e cooperar com Ele através da intercessão. Deus não conta com o homem individual. Se a espiritualidade individual de obreiros de peso não gerar a espiritualidade coletiva dos santos, significa que a meta de Deus em relação ao ministério está sendo perdida (Ef 4.11, 12). Os seminários geram pregadores de sermões, mas a escola do Espírito gera obreiros que edificam o Corpo de Cristo. A espiritualidade individual e o ministério da Palavra não têm um fim em si mesmos, mas sim edificar a Igreja como uma geração profética que ouve a voz de Deus, enxerga Seus caminhos e introduz o reino de Deus na Terra. Assim como os céus se moveram quando Daniel orou conforme as promessas de Deus, o Espírito Santo se encarrega de operar em nós e através de nós quando intercedemos em resposta e harmonia com sua palavra profética. Ouçamos seu chamado coletivo e apressemos sua vinda (II Pd 3.12).

Oh Deus! Ajude-nos a conhecer seus caminhos e capacite-nos a colaborar em sua obra de restauração neste tempo do fim.




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