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Coluna

Crise na Vida de Oração da Igreja

K. P. Yohannan

Jamais esquecerei uma das minhas primeiras reuniões de oração na América. Eu estava nos Estados Unidos somente por algumas semanas e estava ansioso por encontrar alguns dos líderes e gigantes espirituais. Um pouco antes de deixar a Índia, eu havia ouvido a respeito de um homem em particular, alguém que se destacara por sua defesa intransigente das Escrituras e da sã doutrina.

Foi assim que, naquele primeiro domingo, apressei-me para chegar à igreja dele – uma das mais famosas na cidade. Mais de 3 mil pessoas estavam presentes no culto matutino para ouvir os belos corais e a excelente pregação da Palavra.

Fiquei especialmente antenado quando o pastor da igreja anunciou que haveria uma ênfase especial na reunião de oração do meio da semana. Algumas coisas lhe pesavam muito no coração, disse ele. Peguei o nome do local e decidi-me a estar lá.

Em outras partes do mundo, em lugares onde os cristãos são frequentemente perseguidos e atacados por causa de sua fé, as reuniões de oração são a peça central das atividades da igreja. Todos participam. A oração e o louvor muitas vezes prolongam-se até tarde da noite. É a casa de força da sua fé, e muitos crentes levantam-se antes do nascer do sol para estar diariamente em reuniões de oração.

A oração é, provavelmente, o melhor termômetro que existe para medir o nosso crescimento em Cristo. Está por trás de tudo o que é realmente espiritual, tanto na vida da igreja quanto na vida pessoal.

Na noite da reunião, cheguei cedo, com receio de não conseguir um bom lugar – ou até de ficar sem lugar! Imediatamente percebi que havia espaço para somente uns 500 adoradores, mas que não havia nem cânticos nem palmas. O salão estava completamente vazio. Caminhei até a frente e escolhi um lugar para me sentar e esperar.

Lá pelas 7h15, comecei a ficar realmente preocupado. “Acho que vim para o local errado”, imaginei. Até fui para o lado de fora para checar o nome acima da porta de entrada – para ter certeza de que estava no lugar certo.

Finalmente, às 7h30, chegaram algumas pessoas naquele enorme salão vazio. Não havia líder, cânticos ou louvor. As pessoas se sentaram e começaram a conversar sobre tempo e esportes.

Depois de cerca de quarenta e cinco minutos, um homem de mais idade chegou para dirigir a reunião de oração. O pastor nem veio. Contei sete pessoas. O homem idoso leu um trecho das Escrituras, fez alguns comentários devocionais e dirigiu uma breve oração.

Quando os outros se levantaram para ir embora, fiquei sentado, totalmente atônito. Então era só isto?

Eles não iam permanecer mais tempo e esperar em Deus? Onde estava a adoração? As lágrimas? As súplicas por orientação e direção? Onde estava a lista dos doentes, dos pobres, dos necessitados? E aquele fardo que o pastor disse que pesava no coração? Não íamos interceder por um milagre?

E quanto às missões? Essa igreja sustentava missões em todos os continentes. Eles não iam passar de mão em mão as cartas dos missionários com pedidos de oração e orar juntos por aqueles que estavam no campo enfrentando os ataques de Satanás na linha de frente?

Muitas pessoas organizam a igreja e a própria vida como se fossem sua carreira ou seus negócios seculares. Com ou sem a bênção e a presença de Deus, a religião segue em frente como uma máquina bem lubrificada.

Essas igrejas, às dezenas de milhares, têm o que chamam de “reuniões de oração do meio da semana”. Mas até mesmo chamá-las de reuniões de oração é uma vergonha. O que acontece, na verdade, não tem nada a ver com oração! As pessoas se reúnem. Alguém se levanta para dirigir um cântico. Então uma pessoa faz uma oração – uma oração curta! Outra pessoa lê uma lista de avisos. É claro que o pregador ministra uma breve homilia. Em certos casos, pode até haver duas ou três orações, mas a maioria sai da reunião sem ter-se envolvido em verdadeira oração. Como é que podemos chamar isso de reunião de oração?

Nada revela mais clara e rapidamente a bancarrota da Cristandade moderna do que a atual crise de oração. Já atingiu proporções de emergência.

Obrigado, eu mesmo posso cuidar disso!

Muitas vezes tenho me perguntado: “Por que é que nós, os crentes ocidentais, não oramos mais?” e: “Por que as igrejas não dão mais atenção à oração?”.

Afinal de contas, já que a oração é o ato supremo de intimidade com Deus, não deveria ser a atividade central de toda a nossa vida? Não é por falta de ensino sobre a oração. Nunca tivemos tantos livros e seminários sobre oração como hoje.

A triste verdade, quer a admitamos quer não, é que não oramos porque, lá no fundo, não achamos que realmente precisamos de Deus. Não sabemos como orar porque a verdadeira oração só pode originar-se de uma vida totalmente esvaziada de autossuficiência.

A igreja que vemos hoje é, de fato, a igreja de Laodiceia descrita em Apocalipse 3.14-22. Não há descrição mais exata da nossa condição espiritual em qualquer outra parte da Bíblia. Jesus falou dessa igreja: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado, e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu” (vv.15-17).

A falta de oração põe em evidência a nossa autossuficiência. Esta mentalidade do “eu-posso-cuidar-disto-sozinho” é o câncer espiritual do nosso tempo. É a raiz da nossa incapacidade, tanto na vida pessoal quanto na igreja. Por ainda não termos compreendido a essência da oração, somos incapazes de perceber a arrogância e a terrível rebelião da nossa situação atual.

Dependemos de tantas outras coisas hoje em dia – edifícios, máquinas, dinheiro, programas e tecnologia. Gastamos milhares de horas com consultores em estudos e planejamentos. Entretanto, parece não haver tempo para orar.

Claramente, perdemos contato com o Deus vivo e eterno. Em vez disso, servimos às máquinas e aos programas e sistemas que nós mesmos levantamos. Contudo, essas coisas são ídolos, deuses que nós criamos e agora controlamos com nossa própria ingenuidade. A mensagem da Bíblia sobre idolatria é bem clara. Ou abandonamos esses ídolos e voltamos a confiar em Deus, ou o próprio Senhor intervirá para destruir as obras da nossa carne. É muito perigoso andar por esta senda de orgulho – tanto na vida pessoal quanto na igreja.

Esperando Poder do Alto

Como nosso estilo de vida hoje é diferente das instruções que Cristo deu para seus primeiros discípulos! Depois de três anos e meio de constante exemplo e ensinamento, qual foi a única lição que ele queria que guardassem? “Sem mim nada podeis fazer!” Por isso ele lhes disse que ficassem em Jerusalém e esperassem até que fossem revestidos com o poder do alto, antes que saíssem para cumprir a Grande Comissão. Ele queria que reconhecessem que, se dependessem de si mesmos, estariam fadados ao desastre (veja João 15.5; Atos 1.4-8.)

A menos que cheguemos a essa posição de total incapacidade, jamais compreenderemos a oração. É por isso que Paulo diz: “Pois quando sou fraco, então é que sou forte” (2 Co 12.10). A oração nada mais é do que a declaração da nossa dependência de Deus. E a resposta a cada oração nada mais é do que isto: Deus conosco, com todo seu poder e autoridade, compensando nossas limitações humanas.

Cada um de nós, na própria jornada diária, é conduzido por provações e tribulações. Estas servem para testar nossa fé e estimular-nos para uma vida de mais oração e maior dependência de Deus.

Na esfera da obra missionária, temos inúmeras oportunidades para confiar em Deus. Mas até nesse campo, onde se imaginaria que todos procurassem depender em tudo de Deus, é raro encontrar líderes que dirijam suas atividades e decisões por verdadeira confiança no Senhor.

Separamos tempo para estudar antropologia, sociologia, teologia, marketing e mídia, mas não temos tempo para orar. É comum os lideres gastarem dois ou três dias inteiros fazendo planejamento e traçando estratégias. Contudo, você raramente encontra esses mesmos homens e mulheres de joelhos para passar uma noite sequer de oração. Por que não buscamos uma revelação do plano de Deus? Por que não clamamos para que o Deus invisível siga adiante de nós na batalha?

Não é essa uma clara indicação de que os líderes e as organizações estão tentando alcançar o mundo perdido sem encarar, de fato, a realidade espiritual? Como podemos vencer forças espirituais invisíveis, derrubar fortalezas do mal e abrir portas fechadas se não formos um povo de oração? O exército de Deus sempre avança de joelhos.

Extraído de The Road to Reality (O Caminho para a Realidade) por K. P. Yohannan © 2004. Usado com permissão de Gospel For Ásia (Evangelho para a Ásia).

Vigilância

É preciso viver em espírito de constante vigilância. Vigie o seu coração. Vigie-o com toda diligência (Pv 4.23). Vigie seus lábios, tome cuidado com sua língua e previna-se contra um espírito leviano e frívolo, que já levou multidões à derrota e ruína espiritual. Seja diligente para separar períodos de oração e comunhão mais intensa com Deus. Esteja atento para identificar oportunidades de fazer e receber o bem. Vigie para não ser enredado pelas fascinações do mundo, por tudo que é sensual e que tende a embotar os sentidos do coração e adormecer o espírito.

Vigie contra tentações e resista-lhes prontamente – com toda firmeza na fé. “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar” (1 Pe 5.8).




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